segunda-feira, 24 de agosto de 2009 às 03:23
Ao som qualquer de uma lua crescente no céu

'Talvez um voltasse, talvez o outro fosse. Talvez um viajasse, talvez outro fugisse. Talvez trocassem cartas, telefonemas noturnos, dominicais, cristais e contas por sedex (...) talvez ficassem curados, ao mesmo tempo ou não. Talvez algum partisse, outro ficasse. Talvez um perdesse peso, o outro ficasse cego. Talvez não se vissem nunca mais, com olhos daqui pelo menos, talvez enlouquecessem de amor e mudassem um para a cidade do outro, ou viajassem junto para Paris (...) talvez um se matasse, o outro negativasse. Seqüestrados por um OVNI, mortos por bala perdida, quem sabe. Talvez tudo, talvez nada.'

Caio F.

(...)

O quinto gim.

terça-feira, 11 de agosto de 2009 às 00:28
..Foi no quinto gim que o telefone tocou. 5 toques não atendidos que soaram como 5 tiros à queima roupa na noite daquela sexta-feira que mal começava. Lembro que começava a chover. Daquela noite, sei dizer que 1 minuto e vinte e dois segundos é o tempo que o semáforo do outro lado da rua demorava a fechar. Pra abrir? Eu não sei, antes de 10 segundos sei que meu pensamento viajou quilômetros e eu perdi a conta, perdi a conta dos gins, das horas, das chamadas não atendidas. Mas é outono lá fora e vou me desfolhando por aqui, deixando nas linhas os últimos traços de vida. Escrevo como que pra criar raízes mais fortes, como se podasse os galhinhos fracos para nascerem cheios de vida na primavera. Chove lá fora. Chove aqui dentro. Vou regando. Já velho, um botão de flor tomando raiz por aqui, refloresce. Azul. Coloquei meu próprio nome nele.. na verdade, não tive escolha.. é só minha necessidade constante de sempre reflorescer. E assim vai ser quando agosto acabar. Já sinto o cheiro dos velhos jasmins esquecidos..
quinta-feira, 6 de agosto de 2009 às 22:10
'... ser é ousar ser.'