Ser Novo

segunda-feira, 9 de março de 2009 às 18:27
'Não era nada com você. Ou quase nada. Estou tão desintegrado. Atravessei o resto da noite encarando minha desintegração. Joguei sobre você tantos medos, tanta coisa travada, tanto medo de rejeição, tanta dor. Difícil explicar. Muitas coisas duras por dentro. Farpas. Uma pressa, uma urgência. Fiz fantasias. No meu demente exercício para pisar no real, finjo que não fantasio. E fantasio, fantasio.

Mas de tudo isso, me ficaram coisas tão boas. Uma lembrança boa de você, uma vontade de cuidar melhor de mim, de ser melhor para mim e para os outros. De não morrer, de não sufocar, de continuar sentindo encantamento por alguma outra pessoa que o futuro trará, porque sempre traz, e então não repetir nenhum comportamento. Ser novo.'

Ser novo.
Ser novo.
Ser novo.
Ser novo.
Ser novo.
Ser novo.
Ser novo.

Ler Caio Fernando me faz acreditar no novo denovo.

Quando se olha além

segunda-feira, 2 de março de 2009 às 23:13
Eu já estava pronto pra sair quando ela chegou. Vermelho. Você era vermelha e tinha nos olhos alguma coisa como ver além do óbvio, sendo assim, quase todas as coisas eram tão claramente óbvias e desinteressantes que você já não queria olhar além nem queria saber além das coisas e das pessoas e por um minuto que seja queria ver só aquilo ali que todo mundo via e não entendia nada.

E você percebeu que quando a gente vê as coisas além, é um caminho sem volta e sem saída, as portas vão te levando cada vez mais pra dentro dessa coisa sem nome que incompreensivelmente te faz assim vermelha e com olhos transpassados tão (pro)fundos e complexos que não são capazes de pousar o olhar sobre coisas assim sem importância.

Aí eu já estava dando o último gole no café quando eu te vi vermelha e você então pousou o olhar sobre mim, azul.

Ah, vermelha, como eu queria que tu existisse. Escrevo nem sei pra quem.