Sobre o canto do beija-flor

quarta-feira, 18 de fevereiro de 2009 às 23:54
Eu nunca sei quando uma coisa está de fato terminando ou começando. Quando me dou conta, já estou completamente dentro, com os pés, mãos e cabeça e coração. Ou pelo contrário, tão fora que chego a me questionar se um dia eu realmente estive dentro daquilo ou se foi só um sonho que passou.

Não importa, eu só quero dizer agora que tudo que eu carrego comigo depois de tantas quedras e procuras, mesmo tendo consciência disso só hoje o que importa mesmo é sentir essas coisas de um modo que mesmo que eu não saiba, eu sinta.

E eu senti, ah..tanta vontade de ir embora, logo em seguida, tanta vontade besta de voltar..pra no fim, não ir nem vir. Ficar aqui onde sempre tem um vento trazendo sementes que florescem surpresas, onde há sempre uma flor que muda constantemente de cor, onde constantemente amanhece e a esperança – se é que ainda existe no mundo – vive sejando um bom dia, onde há uns dias um beija-flor tem vindo passear entre as flores e me contar algumas coisas que ele viu voando por aí.

Com o coração na mão desde então, eu sinto uma vontade enorme de pedir uma coisa: Desejem uma coisa boa pro mundo, desejem paz, queiram mais amor, menos dor. Que esse mundo e nossos corações são muito mais. Merecem muito mais. Desejam uma chuva que faça com que o sol apareça depois, mais brilhante ainda. Mas por favor, não vire a página com um olhar indiferente nem pense que não poderia ser tudo diferente, pouse sobre nosso mundo um olhar calmo e queira bem, queira nosso mundo bem. Dá a mão pra alguém na ciranda da vida e vamos cantar todos juntos alguma coisa que limpe, alguma coisa que vibre numa freqüência que todos entendam que o mundo precisa mais de cor. Coragem. Coração.

Era sobre isso que o beija-flor falava.
E quando eu percebi, já havíamos todos saído de uma coisa e entrado em outra.

Cor, Coragem, Coração, Coragem...

Cartas sem destino certo I

quarta-feira, 4 de fevereiro de 2009 às 22:46
*para ler ao som de ‘somewhere over the rainbow’.

Há muito tempo a luz não estava acesa, a pouca luz que vinha, vinha de fora, das frestas da janela, do vão da porta que fora trancada sabe-se lá há quanto tempo pelo lado de dentro. Você se lembra quando ouviu meu grito sufocado cheio de desespero por não achar as chaves largadas no quarto escuro cheio de palavras mofadas? O meu grito era um silêncio dos mais profundos, um silêncio tão urgente e tão grave que me estremecia e estremecia também todo o quarto, e por vibração, tremia meu mundo todo, meus signos, tudo desmoronando e caminhando rumo a ruínas. Talvez um dia elas até fossem algo bonito de se olhar, algo como algum monumento antigo todo cheio de fendas e marcas que ficam pra todo o sempre, mas não, ainda não é hora, ainda me sinto incompleto demais, bruto, a essência sendo lapidada a cada palavra tua e a cada palavra minha, cada gesto meu ou gesto teu, em todo olhar seu no olhar meu, me descobrindo a cada linha que escrevo, me perdendo em cada verso louco lido e me achando logo em seguida em cada acorde maior.
É pra você que eu grito meu silêncio, pra você que chega e abre as janelas pra luz se derramar, que abre a porta pro novo entrar, que me lapida com palavras que chegam em forma de pensamento bons e melodias que compoem uma trilha sonora doce, complexa e intensa.
É pra você que eu grito meu silêncio:

Pra você que existe e está sempre florescendo..em algum lugar.